sábado, 29 de dezembro de 2012

PLEBE(PLEBE!) - verbete


Hoje a lua apareceu
e se empalideceu cheia
na chuva e chusma do amarelo,
no plenilúnio amarelo
alelo nos genes paralelos
das borboletas amarelas
em suave planar de ave,
que não são
no ser dado aos entes
pela nomenclatura
originária do ser humano
ao por a voz e a grafia no "logos"
ou "in verbis"
se latim
for sim
o alfa e o fim
de um fio de voz,
temente ao amor,
que é Deus
interposto entre o homem e a mulher .

O amor canta no filete de fala
no ômega da vocalização
sutil no coro de oboés
na sinfonia pastoral de Beethoven.

No apontamento para história de lua
ela ( a bela e a lua)
estava com cara prata,
não de um prateado
ocasionado por cosméticos,
mas um prateado
de quem foi pranteada,
quiçá na planta do céu.

Argêntea face,
a de lua, no de lua dela;
argentino sorriso de gato de Alice
no país que passa por aqui
em monção inglesa...
Lua vidrada no olho
que nada deixa de ver,
nem transparecer que vê
quando olha àquela que ama
em meio à turbamulta.
( O olhar separa,santifica,
canoniza em processo sumário,
sem sumo pontífice,
a bem-amada,
da canalha risonha,
prolífera qual arraia-miúda,
mostrando e mordendo
com todos os dentes,
no sorriso hipócrita,
de boca cheia
por toda parte
em que haja vitualhas
( vitualhas são o que virtualmente
e realmente estão
à base de sua dieta,
se é que a plebe(plebe)
segue algum regime,
alguma racionalidade
que meça seu voraz apetite animalesco
em regras estribadas na razão,
a qual guia o filósofo
ou a paixão exasperante
que tira o timão da mão do poeta
ante a imagem da amada,
pois a ela ele entrega sua sorte
e todo o seu coração,
toda a sua alma,
todo o seu corpo,
todo o seu ser...
sem receio das borrascas
que desenham medusas num céu
dado ao olho
em fundo negro de alma
dentro da noite
em que se afoga a alma
nas águas das trevas).

Sem ela
não há estrela guia
para o poeta,
cuja vida
vegeta nela.

Ela é a lua na prata cor,
a estrela que aquece
o coração cheio de amor
que demonstra um temor
- monstro temor
que é próprio do amor,
o temor ao Senhor
e à amada, ao amado,
pois ali há também
um risco de veneno
- um riso de demônio zombeteiro
que é um  ser
dentro de um ser
- humano!

Ela está escrita
em versos dos mais maviosos poetas
na estela do meu coração.

 
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domingo, 23 de dezembro de 2012

EPIFANIA(EPIFANIA!) - glossário léxico


DESEO :
" Sólo tu corazón caliente
y nada más".


Mi paraíso, un campo
Sin ruiseñor
Ni liras,
Con un río discreto
Y una fuentecilla."

Assim cantam uns  versos  aquáticos de um poema de Federico Garcia Lorca, poeta lírico e dramaturgo espanhol de boa cepa.
No Tanack (Tanach, Torah, Pentauteuco, Testamento ou testemunho fidedigno) está escrito ""Não desejarás a mulher do próximo...", mas a exegese pode ler "n" sentidos e razões neste "logos".
 O carro, a mula do próximo são do próximo, pertence-lhe, porquanto não apresentam jamais resistência, não tem ser por dentro para se amotinar, insurgir, revolucionar, ou evolucionar,  mover, enfim,  o cosmos das relações pessoais, até personalíssimas, ou  consigo mesmo; portanto, enquanto entes em passividade pétrea, só são separados do próximo em caso de alienação, na troca, no escambo, que não são atos de objetos, porquanto o objeto é sempre um ente passivo ( o objeto é passivo, não passível, ao passo que o sujeito é passional, move o ser; esta oposição é  que dá empuxo ao movimento da mente e do corpo leve no balé de Degas e de Nietzsche, o levíssimo, habilíssimo, agilíssimo  bailarino do pensamento). O objeto está integrado ao patrimônio : este o seu estado.
Aliás, objeto tem sua existência restrita ao estar, ao estado, à passividade interna, não em  energia, mas no setor de sistemas nervosos centrais e autônomos, que movem ou regurgitam o ser do interior ao exterior;  é um estado da matéria e um estágio da energia que o perfez e o mantém unido; no objeto não há manifestação de ser (epifania, epifania), porquanto o fenômeno é tão-somente de ordem material e energética, sendo que energia e matéria são substratos mútuos do mundo ou universo, mas não ser. O objeto, está, está na tese, enquanto objeto de tese natural e intelectual; entrementes,  não é, não tem um ser por dentro que o move, um ser expresso pelo vocábulo latino "alma", que configura o ente movente.
O ser humano é alma movente por dentro e corpo movente por fora : o ser é movediço na areia movediça do corpo e na areia para ser mensurada (razão, racionalidade) na ampulheta da alma do inventor ( o ser humano), que é o mesmo que dizer a palavra espírito ou pensamento par a exprimir as funções nominais no "logos" da matemática e na lexicografia.
A mulher não é mais um patrimônio acrescido ao bando de animais que porfiam diuturnamente por território e fêmeas, lei que vigora entre os leões, os chimpanzés e nas interações políticas de outros animais na fase do acasalamento. A mulher dá razão e azo, ou vazão, às relações políticas  que se consubstanciam ou se consumam no matrimônio. Esse vínculo garante ou facilita  a criação dos filhos, na divisão de tarefas, ou seja, ela responde pelos filhos enquanto estão sendo criados,  enquanto crianças. Na hermenêutica (hermeneuta)  bíblico do tempo ela era submissa à missão do homem, do homem enquanto patriarca. O patriarca é um objeto de alienação do pensamento do homem, um objeto posto, em tese, pela tese, ou seja, pela posição e modo de por do pensamento contextual vinculado à costura do tempo que os vestia da cultura em vigor.
A  mulher, (e o homem!),  enquanto ente que manifesta o ser, "in casu", o ser humano, e, portanto, um ente pensante ( de razão, "ratio") e desejante (volitivo, de volúpia pia(volição!) no matrimônio, na sem-razão quixotesca do idealista incauto, politicamente desprevenido e despreparado para viver, por carência de traquejo social), pode não ser  mais do próximo, não ser em ser foro íntimo mais a mulher do próximo,  mas apenas estar com ele, sub-júdice e sob jugo de lei ( ou ela, caso a mulher seja em lei  o outro cônjuge sob  o jugo da lei cível, que os amarra ou prende num contrato, porquanto a lei é contrato em sentido lato e estrito, concomitantemente,  conquanto passível de anulação, de nulidade,  ou ser revogado tanto quanto qualquer contrato menor, ou seja, firmado entre partes interessadas e rescindido quando não há mais interesse mútuo e um está a prejudicar o outro); e, neste caso, o cônjuge em prejuízo está com o outro, tão-somente em função do liame legal, ( que cria tal estado e este estado que nos subjuga ao subsumir determinados atos ou ações perpetradas por nós à sanção da lei, a qual nos pune ou beneficia); isto, estes fatos descritos, pensados, ocorrem tão-somente  devido à escravidão de letra de lei em contrapartida à liberdade  do absoluta do espírito humano, que não vige debaixo de norma, mas se firma e se ergue em exegese, hermenêutica, ou seja, tese : põe ou posiciona ou torna positivo, como queiram, o ser no mundo enquanto tese( postulado, doutrina) do espírito (pensamento) do ser humano vivo. Tese esta que sobrevive ao corpo ou se torna o corpo em signos e símbolos dos escritores, pintores, etc.
Vide, e vige no pensamento vivo,  o 'Espírito das Leis", obra ("opus") escrita por  Montesquieu, que, destarte, com esta tese deu o ser à lei : o seu ser ( o ser dele, agora em letras que guardam o cérebro vivo nos desenhos do pensamento em signos e símbolos).
Sendo, e o é,  a mulher atual ( e atuação, "ator" ou atriz que representa-se no palco teatral social, político, de sua época), livre do jugo do esposo, ela pode, sem embargo,  estar com ele, por coação legal, mas não ser dele, pois o ser é dado pelo ser humano no pensamento e depois desenhado no "logos" na escrita e na fala(canto), porquanto essa é a linguagem própria para ir de encontro a tudo o que é humano. O ser não pode ser alienado, senão enquanto pensar e por estar  no mundo cultural em tese  do pensamento; estar em tese no mundo, tal qual o fizeram Jesus Cristo, cujo ser subsiste numa instituições ( ou várias) denominada igreja ou assembléia, porquanto era a ideia de igreja, ou assembleia, enfim , da comunhão e comunidade dos homens que moviam o pensamento em tese de Jesus Cristo. Isto se dá com as instituições fundadas no pensamento de Buda, suas meditações e técnicas e outras entidades as mais diversas, como empresas, associações, fundações, etc. É uma seara política sem fim.
A linguagem para se relacionar com a natureza é a geometria, que ganha escrita (signos e símbolos) na linguagem das matemáticas e da álgebra, que encaram e encerram ( não encerram , melhor dizendo) o vasto abstrato cavado no mundo mental, intelectual. A linguagem do ser e para abrir o ser no homem e  na mulher, consortes independentes da escrita em lei, é linguagem com palavras, desenhada nas senóides das vozes e da escrita, que canta o coração nos poetas em suas respectivas línguas.Oh! os poetas, estes somente podem ser lidos e degustados em suas próprias línguas, jamais no verter em tradução. Não se verte o que é doce ao coração : o amor, espírito de tudo : alma da vida. Ah! este insuspeito ser de dúplice alma : o homem, a mulher, cindidos pelo gládio da " justiça" firmada em lei e contratos que tais!...
O ser, que é o sujeito ativo ou passivo, o ente com ação interior,  tem seu "logos" ou verbo ("verbum domini") na língua falada, cantada, escrita; no léxico e , mormente, no canto do poeta; daí que não continuar entediado nas teias da lei, mas foge com Cristo para as teias do amor, pois "Deus caritas est", grafa a epístola de São Paulo apóstolo, em língua de anjo, ou seja, de poeta.O estado ou estar tem sua linguagem nas matemáticas, pois são objetos do sujeito e não se afundam no universo subjetivo, um buraco negro em direção ao fundo do copro humano anatômico e fisiológico e lógico, poético, musical, político, em sua "Encomium Moriae". Todas a ciência humana não passa pelo crivo da "Encomium Moriae", pois tudo é o que é humano é mera economia da loucura. O mesmo apóstolo, São Paulo, dí-lo com todas as letras em uma das suas epístolas, o que Erasmo de Rotterdam só faz repetir o dito do apóstolo das gentes ou do gentio.
A volição é o movimento ou motivo do espírito (ou pensamento) . O ser é volitivo e evolutivo. Os pássaros estudados (objetos) por Darwin, nas ilhas Galápagos(Galápagos!) , são, ou seja, são seres, na infeliz redundância que nos faz descair a língua portuguesa, com certeza um idioma ótimo para mercar, porém ruim e pouco eficaz para pensar profunda e profusamente.
A lei em atuação,  o que quer dizer, o espírito ou tese de época (posição dentro de um contexto de terra, trabalho, relações político-econômicas que desabam no Direito e nas ciências, enfim, em todas as formas de relações ou interações humanas) posicionava a mulher como objeto  a ser alienado no comércio do amor); o novo "espírito" ou tese, ou exegese(exegese!) contextualizada pelo fluir do teatro atual do ser em palco social, comunitário, político, também põe o homem sob o jugo da lei, no mesmo patamar; ou seja, o eixo do objeto apenas se deslocou e ampliou o foco e apanhou todos os seres humanos agora dados ao comércio do amor", como dizia Montaigne. Todos estamos sob jugo legal; este nosso "matrimônio", no qual nos tonamos patrimônio do estado, através do "estado de Direito", que nos subjuga com leis, ou seja, escraviza, não mais apenas a mulher, mas todos, independente de sexo, "raça", fortuna ou o que quer que seja. Não co-pertencemos ao estado, como é assinalado em lei, de forma sutil, sub-repticiamente, mas pertencemos a este enorme Leviatã, que se enrosca até me nossos sonhos. Destrói o "foro íntimo" que imaginamos ter no ser que somos alienados, posto na tese do estado, que domina tudo : é o senhor absoluto, que serve como camuflagem para os seres humanos que dominam, que detêm o poder do estado assalariando sicários e outros lacaios servis, subservientes. Paradoxalmente, o estado, que é o Direito,  deixa que em inúmeras situações, que interessam aos todo-poderosos, que o ser humano defina sua vida em âmbito restrito, adstrito ao seu casamento e relações, laços, liames menores, mais brandos , nos quais são atores e atrizes os amigos, o amor, o trabalho, até certo ponto que não ultrapasse ou extravase o limiar do crime ou o tabu sempre um totem sem ou com corpo de artefato.
Jesus Cristo aboliu a lei; ao menos esta tese está a consonar com o que diz São Paulo, apóstolo. Todavia, a visão genial desse homem notável, profundamente e precocemente sábio, que foi Jesus, é a visão do reflexo de um  Narciso n'água, "suicidado", ou seja, que não cometeu suicídio, nem o  premeditou, mas que, ao se ver no espelho social, político, e, ao se refletir nele, que não é o mesmo ato de ver (refletir e ver), acabou se afogando na pequena lagoa dos anões no poder ( há milênios no poder político, graças às suas trapaças, Marília bela, minha única estrela do norte!), criadores da cruz e outros suplícios para os outros, apenas para se vingarem da própria cruz que carregam pesada : a feiúra de corpo e espírito que os perseguem toda a vida, existência fora."Pérfidos anões!', diria e disse Nietzsche, em sua obra "O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música". Em alemão :"Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik", obra reeditada com o título : "Die Geburt der tragödie, Order :Griechentum und Pessimismus". 

 
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sábado, 22 de dezembro de 2012

PÃ(PANDEMÔNIO!) - dicionário wikcionário wikdicionário


A escrita é uma dança com os dedos
e a mão que quer e acaricia :
- a carícia
na carestia,
na velha tia,
na hóstia, na eucaristia,
que toda tia gosta
e de mãos postas!
- posta a mesa
para o glutão
e para a comunhão
com Cristo,
nosso Senhor...

Na "Ostia Antica"
Roma existia
vítrea,
vitrificada, 
no vitral.    

A pintura outra dança
no mover da mão
a braço com o abraço
do braço com a tela...
Bela, a fricativa na boca,
sibilante,
uvulares,
labiodental...
na dança
com língua
de Sancho Pança
e Dom Quixote(Dom Quixote! :

que dom o dom de Dom Quixote!)
no mote
e no bote da serpente
enrodilhada dentro do bote rio abaixo,
a sibilar
na sibila (que sibila!),
na pitonisa,
na píton reticulada
e em Pitágoras :
agora sem Ágora).

A mão dança nos dedos
ao desenhar o arco
do triunfo
que é uma dança no papel
do arquiteto
que a passa
em contradança
ao papel papal
que nem de uma papisa
- no papiro
tem o signo
onde giro eu
- eucarionte
ontem e tresontonte
do ventre livre
ao Monte Carmelo
hoje em um monte de caramelo
ou um amontoado de machimelo
em toada doce
de iguaria sem igual
para massagear os dentes
de leite das crianças
em danças
de infante
grimpante
e bactérias
quase etéreas
no lado invisível
do mundo cão pastor :
"Canis Minor",
"Canis Major"
a consonar com o céu
sem o anil vil,
metal, metálico.

O pensamento é uma "dançarina"
- uma bailarina
descrevendo senóides
pelo senos,
co-senos séculos fora.

As Três Graças de Canova,
Boticelli... : O pensamento é...
as Três Graças!
- e um bailarino
no filósofo-filólogo Nietzsche
que de ditirambo em ditirambo,
aforismo em aforismo,
até o desaforo!,
se dizia um dançarino,
porquanto salta o pensamento
aos olhos,
no caprídeo deus Pã (pandemônio!),
desenhado, desdenhado,
e em ondas senoidais
quais peixes que tais
se acham em nado
( que nada!)
na cascata(cascata!) do rio São Francisco
de água santa e benta,
água com madeixas encaracoladas
pelos cabelos das sereias
e das medusas
descendo a cachoeira
que pranteia
o amor feliz
e infeliz
de minha avó,
em algum lugar
da não-Mancha( Mancha, manchego,
não mancha o manche!(Manche?!)
ou da não-Mancha,
engastada no manche da Manchúria, quiçá,
de cujo nome
prefiro olvidar-me,
ou deixar descer
ao olvido,
sem ouvir
o rio letes
a bailar no leito,
lento, silente e sem leite,
aonde vamos em descenso
a braços com o barqueiro Caronte
em barcarola funesta,
que levara Menipo,
segundo o segundo evangelho da Menipéia,
vetusto apócrifo ,
não meu, nem teu,
nem do ateu, nem do arameu,
nem de Orfeu...

A filosofia
e a poesia
é toda uma dança,
o mito em rito,
que dança é
e dança vivendo,
na mostra de saúde,
enquanto há vida...;
pois "enquanto há vida
há esperança", de dança!,
de amor!..., dizia minh'avó,
em sua fé,
antes do mundo acabar nela,
desmoronar a alma
dentro dela.
Todavia,  se há esperança,
há esperança que salve
o verde que brota
no sistema vegetal,

sistema verde
que nutre e repara a vida,

dá alma à alma... :
Sim, há  esperança que salve
e isto não é um fato,
mas um ato humano,

pois os fatos
já estão mortos
e embalsamados
sob os signos da história.

A esperança
é um ato humano;

ato este que produz  esperança :
"SPE SALVI facti sumus",
dança a carta encíclica
do papa Bento XVI
na mão e no pensamento
do santo padre :
sumo pontífice.

 
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sábado, 8 de dezembro de 2012

TRANSEPTO(TRANSEPTO!) - verbete


À primeira vista
a catedral (catedral!)e o adro
estavam de luto,
em luto-fusco,
fosco sem lusco
- luto preto
de anum preto
pássaro preto,
viúva negra
de luva na cor da uva,
com úvula...
Ave, César!
(Arre, César!)
Ave, Maria!
- Maria da Graça de Deus! :
das três graças,
cumulada com miríades de graças,
Senhora das Mercês,
graciosa virgem preciosa,
animada, mas não animosa :
mimosa rosa, miosótis...

O luto da catedral
e do átrio
era um luto pelo qual
não luto, (luto?!),
mas luta a noite escura
- mais uma luta obscura!
nas trevas seladas,
veladas no velário de noites
enlutadas,
enluaradas,
ao palor do luar,
que banha o pavor
em ato e fato
desde os tempos imemoriais
da Lacedemônia,
que já fora denominada "Lacônia"
pelo lacônico habitual do povo :
tácitos, trágicos, tétricos gregos!

Vi-a "de dia";
contudo, o luto,
contra o qual não luto,
nem lutava ao luar
o corpo da catedral,
obscurecia a sua visão,
empanava-a na meia-fava
de um nevoeiro inteiro
e deixava-a às favas,
- a mendiga catedral perdida!,
mendigando à luz
de São Francisco em Assis,
mendicante beata,
suplicando por luz,
mergulhada nas águas negras das trevas,
num suplício súplice...
- algo tirante à gótica arquitetura,
desenhada no desdenho ...
que não tenho!,
por nada que nada! (Que nada!...) :
O escárnio não é ato meu,
porém do ateu
que chega ao nártex
e recua assustadiço :
noviço sem dente do siso..

Pintada no betume da noite
e do tempo no ébano
a catedral soturna
parecia feita
de lagartos negros
que pelas suas paredes
subiam e desciam
(declive, aclive)
a constituir e construir as paredes
com seus corpos nigérrimos.

Depois de muito tempo
vi um desses lagartos
largado no chão
distraído a banhar-se de sol
que, ao perceber presença
humana predatória,
saiu em disparada
lendo, por semiologia, em mim
os "Disparates" de Goya
e os "Caprichos", na Quinta do Surdo,
e na Quinta sinfonia de Beethoven.

Imóvel no solo o sáurio(sáurio!) estava
e neste estado de fato
semelhava um demônio de ébano
em decúbito ventral
com sua longa cauda
que, ao se mover de chofre,
revoluteava qual víbora solerte,
e a cabeça lambia o ar
que havia em brisa
com um quê de malévolo em fronte
de quem olha e vê
o frontão da igreja do mal,
- ou o mal destilado na peçonha
da serpente devoradora,
que é o "estigma" do demônio em pessoa,
enrodilhado na língua
que pastoreia a grei...
com chocalho
a tinir
tilintar
e o veneno na boca
e nos dentes
em mostra letal
escorregando do sangue,
que o armou com toxinas letíferas.

O lacertídeo era um lacedemônio
( que o lace o demônio!
- que o enlace aquele lovelace!),
pois a história e a estória
sempre se tocam no que era o tempo
-  que era numa "Era " geológica...
E após o Período geológico
e em Tabela periódica,
a estória a narrar a história
quando "era uma vez... "
("um pinto pedrês!") :
na voz de minha mãe!,
e uma era,outra vez.
d'outra vez,
d'outa vez,  (sem fio de voz!),
a Era de Aquário,
Nova Era
e a Era que viera
antes de minha existência
em carga de energia
no corpo anatômico-fisiológico
( A vida é uma carga de energia
que vai se esvaindo,
diferentemente da farinha e do azeite
da viúva de Sarepta
e da voz de minha mãe
nas noite tempestuosas
derribando luz e mel
na narração de um conto de fadas...
- fadas fascinadas! ,
o carinho a caminho
no que treme a voz
na lamparina soprada pelo vento
que atravessara a cortina...)

O lacertídeo parecia um demônio
(era um demônio! :
em decúbito ventral)
num guerreiro lacedemônio
a me esperar...
porque "Spe Salvi...",
diz em benção Bento...
na Encíclica papal,
 benta epístola,
água para animar o peregrino,
água aspergida
num caminho que leva à economia salvífica
para o clero e para o "vero"
para prelados em todos os lados :
ladeados pelo mundo "ecumênico"
ou pelo mundo profano em pelo
de camelo ou novelo,
enovelado em "Encomiam Moriae",
que não veio de Pérgamo
num pergaminho
até o Minho
e o Douro.

Oh! tempo!, que põe pedra em cantaria
e cobras e lagartos
cospe,
quando cospe um bosque,
na terra,
ou um bosquejo do homem,
na arte,
pelo artista ao lápis de Picasso,
no traço que é o rastro do mestre:
traço sem traça, troça ou trapaça...
Que acha?!...

Depois da Catedral de ébano
banhada à lua
e ao sol sem chapéu azul
celeste
vi, ouvi e vivi
tantas mutações!,
que mudo não estou
porque não mudo,
nem sou surdo, como sói chamar
a um certo instrumento de percussão
e a um homem
que faz ouvidos moucos
sem ser louco
e estar de oitiva
abaixo dos lagartos
largados  ao largo
das paredes da catedral dos lacertídeos.

Os imaginários lagartos
iam e vinham
do florão ao rés-do-chão.

No transepto(transepto!)
o Cristo no Cruzeiro:
crucificado!


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SÁURIO(SÁURIO!) - etimo etimologia


À primeira vista
a catedral (catedral!)e o adro
estavam de luto,
em luto-fusco,
fosco sem lusco
- luto preto
de anum preto
pássaro preto,
viúva negra
de luva na cor da uva,
com úvula...
Ave, César!
(Arre, César!)
Ave, Maria!
- Maria da Graça de Deus! :
das três graças,
cumulada com miríades de graças,
Senhora das Mercês,
graciosa virgem preciosa,
animada, mas não animosa :
mimosa rosa, miosótis...

O luto da catedral
e do átrio
era um luto pelo qual
não luto, (luto?!),
mas luta a noite escura
- mais uma luta obscura!
nas trevas seladas,
veladas no velário de noites
enlutadas,
enluaradas,
ao palor do luar,
que banha o pavor
em ato e fato
desde os tempos imemoriais
da Lacedemônia,
que já fora denominada "Lacônia"
pelo lacônico habitual do povo :
tácitos, trágicos, tétricos gregos!

Vi-a "de dia";
contudo, o luto,
contra o qual não luto,
nem lutava ao luar
o corpo da catedral,
obscurecia a sua visão,
empanava-a na meia-fava
de um nevoeiro inteiro
e deixava-a às favas,
- a mendiga catedral perdida!,
mendigando à luz
de São Francisco em Assis,
mendicante beata,
suplicando por luz,
mergulhada nas águas negras das trevas,
num suplício súplice...
- algo tirante à gótica arquitetura,
desenhada no desdenho ...
que não tenho!,
por nada que nada! (Que nada!...) :
O escárnio não é ato meu,
porém do ateu
que chega ao nártex
e recua assustadiço :
noviço sem dente do siso..

Pintada no betume da noite
e do tempo no ébano
a catedral soturna
parecia feita
de lagartos negros
que pelas suas paredes
subiam e desciam
(declive, aclive)
a constituir e construir as paredes
com seus corpos nigérrimos.

Depois de muito tempo
vi um desses lagartos
largado no chão
distraído a banhar-se de sol
que, ao perceber presença
humana predatória,
saiu em disparada
lendo, por semiologia, em mim
os "Disparates" de Goya
e os "Caprichos", na Quinta do Surdo,
e na Quinta sinfonia de Beethoven.

Imóvel no solo o sáurio(sáurio!) estava
e neste estado de fato
semelhava um demônio de ébano
em decúbito ventral
com sua longa cauda
que, ao se mover de chofre,
revoluteava qual víbora solerte,
e a cabeça lambia o ar
que havia em brisa
com um quê de malévolo em fronte
de quem olha e vê
o frontão da igreja do mal,
- ou o mal destilado na peçonha
da serpente devoradora,
que é o "estigma" do demônio em pessoa,
enrodilhado na língua
que pastoreia a grei...
com chocalho
a tinir
tilintar
e o veneno na boca
e nos dentes
em mostra letal
escorregando do sangue,
que o armou com toxinas letíferas.

O lacertídeo era um lacedemônio
( que o lace o demônio!
- que o enlace aquele lovelace!),
pois a história e a estória
sempre se tocam no que era o tempo
-  que era numa "Era " geológica...
E após o Período geológico
e em Tabela periódica,
a estória a narrar a história
quando "era uma vez... "
("um pinto pedrês!") :
na voz de minha mãe!,
e uma era,outra vez.
d'outra vez,
d'outa vez,  (sem fio de voz!),
a Era de Aquário,
Nova Era
e a Era que viera
antes de minha existência
em carga de energia
no corpo anatômico-fisiológico
( A vida é uma carga de energia
que vai se esvaindo,
diferentemente da farinha e do azeite
da viúva de Sarepta
e da voz de minha mãe
nas noite tempestuosas
derribando luz e mel
na narração de um conto de fadas...
- fadas fascinadas! ,
o carinho a caminho
no que treme a voz
na lamparina soprada pelo vento
que atravessara a cortina...)

O lacertídeo parecia um demônio
(era um demônio! :
em decúbito ventral)
num guerreiro lacedemônio
a me esperar...
porque "Spe Salvi...",
diz em benção Bento...
na Encíclica papal,
 benta epístola,
água para animar o peregrino,
água aspergida
num caminho que leva à economia salvífica
para o clero e para o "vero"
para prelados em todos os lados :
ladeados pelo mundo "ecumênico"
ou pelo mundo profano em pelo
de camelo ou novelo,
enovelado em "Encomiam Moriae",
que não veio de Pérgamo
num pergaminho
até o Minho
e o Douro.

Oh! tempo!, que põe pedra em cantaria
e cobras e lagartos
cospe,
quando cospe um bosque,
na terra,
ou um bosquejo do homem,
na arte,
pelo artista ao lápis de Picasso,
no traço que é o rastro do mestre:
traço sem traça, troça ou trapaça...
Que acha?!...

Depois da Catedral de ébano
banhada à lua
e ao sol sem chapéu azul
celeste
vi, ouvi e vivi
tantas mutações!,
que mudo não estou
porque não mudo,
nem sou surdo, como sói chamar
a um certo instrumento de percussão
e a um homem
que faz ouvidos moucos
sem ser louco
e estar de oitiva
abaixo dos lagartos
largados  ao largo
das paredes da catedral dos lacertídeos.

Os imaginários lagartos
iam e vinham
do florão ao rés-do-chão.

No transepto
o Cristo no Cruzeiro:
crucificado!


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PEREGRINAÇÃO(PEREGRINAÇÃO!) - verbete

Cássia-imperial (Cassia fistula)
A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
jardineira, arqueira...,
cuja flecha é a semente
atirada à maneira de projétil
lançado com a funda ou a besta
- plantado os pés ao solo de trompas(trompas!)
para aquilatar a porfia
que se afia
entre Davi e Golias...

Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas
velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...
Vai, vai e vem no vaivém das estações
pela "Via Cassia"
em castiço(castiço!) latim.

Escala morros, penhas,
e entre as brenhas está
com amor de flor
para abelha se melar toda (tola!)
no todo do mel sem apicultor (tolo!)
por ator econômico.
("Spe Salvi" caso seja a personagem
divina, mesmo na comédia,
nos atos do poeta,
escrita para ser inscrita,
ínsita no espírito da tragédia grega).

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótis
a peregrinar à Meca(Meca!).

A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
jardineira, arqueira
cuja flecha é a semente
atirada à maneria de projétil
lançado da funda ou da besta
ao solo de trompas.

Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas
velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...
cheirando o nariz do cinamomo
esparso no espaço que é ar a respirar
(Este o espaço!) :
"Cinnamomum cassia"
ou "Cinnamomum aromaticum"...:
madeira doce,
qual água doce,
dulcíssimo mel...

(És, Cassia, melhor que Ester
contra o Grão-vizir...
ó estrela Vésper!
- mais bela que Vênus
aglutinada na palavra
que refaz na vista
o planeta da deusa romana
em Estrela d'Alva,
da minh'alva
e minh'alma,
que não é minha,
mas tua, tua, toda tua,
no que atua
a tua alma
que minh'alma é
e ama a mar oceano 
sem fim de água azul...
- verde de palmeira
a bater as palmas
ao saber do amor inato
entre dois seres
que não podem viver em dueto,
mas sim em uníssono :
um só sono
e um só sonho.
Minh'alma não é alma
sem a tua alma!
- Sem a tu'alma
minh'alma é alma-de-gato,
ave passariforme meramente,
da ordem menor dos frades mendicantes ).

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótisem peregrinação(peregrinação!) à Meca.

E que chova potes
no chapéu do miosótis!

French horn.jpg

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MECA(MECA!) - dicionário wikdicionário

Cássia-imperial (Cassia fistula)
A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
jardineira, arqueira...,
cuja flecha é a semente
atirada à maneira de projétil
lançado com a funda ou a besta
- plantado os pés ao solo de trompas(trompas!)
para aquilatar a porfia
que se afia
entre Davi e Golias...

Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas
velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...
Vai, vai e vem no vaivém das estações
pela "Via Cassia"
em castigo latim.

Escala morros, penhas,
e entre as brenhas está
com amor de flor
para abelha se melar toda (tola!)
no todo do mel sem apicultor (tolo!)
por ator econômico.
("Spe Salvi" caso seja a personagem
divina, mesmo na comédia,
nos atos do poeta,
escrita para ser inscrita,
ínsita no espírito da tragédia grega).

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótis
a peregrinar à Meca(Meca!).

E que chova potes
no chapéu do miosótis!
A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
jardineira, arqueira
cuja flecha é a semente
atirada à maneria de projétil
lançado da funda ou da besta
ao solo de trompas.

Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas
velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...
cheirando o nariz do cinamomo
esparso no espaço que é ar a respirar
(Este o espaço!) :
"Cinnamomum cassia"
ou "Cinnamomum aromaticum"...:
madeira doce,
qual água doce,
dulcíssimo mel...
(És melhor que Ester
contra o Grão-vizir...
ó estrela Vésper!
- mais bela que Vênus
aglutinada na palavra
que refaz na vista
o planeta da deusa romana
em Estrela d'Alva,
da minh'alva
e minh'alma,
que não é minha,
mas tua, tua, toda tua,
no que atua
a tua alma
que minh'alma é
e ama a mar oceano 
sem fim de água azul...
verde de palmeira
a bater as palmas
ao saber do amor inato
entre dois seres
que não podem viver em dueto,
mas sim em uníssono :
um só sono
e um só sonho ).

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótis
a peregrinar à Meca.

E que chova potes
no chapéu do miosótis!

French horn.jpg

dicionario filosofico ecologico natural natureza botanico encilopedico enciclopedia etimologico etimo etimologia botanica verbete glossario terminologia cientifica nomenclatura binomial binominal biologia miosotis bonina wikcionario wikdicionario cassia cinanomo cinnamomum cassia cinnamomum aromaticum estrela d'Alva vesper venus mitlogia romana grega retorica tragedia comedia poesia escultura via cassia cultura civilização falopio