Doutrinas, teses, diagnósticos, conhecimentos, enfim, são
interpretações,
grosso modo, de vários tipos de expressões, linguagens e códigos
linguísticos, e não-linguísticos, em signos ou com outras formas
gráficas que se utilizem de símbolos, gestos, enfim, uma miscelânea
signo-símbolo para uso de exegeta e hermenêuta de relevo, a qual sói
ocorrer nas matemáticas e outras ciências simbólicas, bem com em todas
as interações humanas ou entre homem e terra e cosmos, as quais levantam
perenemente hermenêuticas e exegéticas, ou exegeses, a serem contempladas
na prática
quotidiana: doutrinas de campo ou para o campo levadas pelo sábio, pelo
erudito, pelo mestre, pelo entusiasta, pelo filósofo e o cientista,
dentre outros afins.
Tais práticas não contemplam, geralmente,
oficialmente, canonicamente, a face da gnoseologia, cujo labor é dado às
melhores inteligências, pois tal se dá somente quando
a comunidade é formada e dominada, em sua maioria, por gente sensata,
de preclaro senso
prático na aplicação do conhecimento aos fatos e que, destarte, por
essas virtudes colossais, entrega a prática e a
teoria do conhecimento àqueles cujo mérito é por inquestionável,
porquanto as
inteligências aplicadas por pessoas cujo mérito é notório são motores
essenciais ao progresso da
comunidade humana, à sua riqueza espiritual, intelectual e material,
enfim, blinda toda a sua economia com um sucesso perene. As economias
são várias: economia politica, salvítica, de princípios, financeira,
economia do amor. Economia são as leis("nomos") da casa("eco"). Toda
ciência e filosofia é uma economia.
Essa
prática abordada nos parágrafo anteriores é a mescla de fatos e conhecimentos
levantados até o momento do agir, por diversos agentes e entregue aos
sábios e engenheiros para envolvimento e desenvolvimento com a
tecnologia, que é o fazer falar a ciência nos objetos ou artefatos da
cultura. Um só
questionamento inovador sobre qualquer
vetusta doutrina já a pinta com outra cor enquanto conhecimento,
gnosiologia. Já estabelece definitivamente o matiz da dúvida com seu
tom no amarelo-outono das coisas e teorias com folhas decíduas ou em
queda de anjos sem pára-quedas ou rede sob o trapézio.
A
prática não passa de repetição ritual do mito das doutrinas, função
executada pelo homem
comum ou o homem de inteligência limitada.Os gênios da natureza, ou
filósofos naturais, inteligências nativas, sábios, eruditos,
"experenciam" a praxe, que é a
doutrina do filósofo aplicada como engenharia social, política,
semiológica, semiótica, metalinguística, sociológico, antropológica,
espiritual, enfim; mas não enquanto elemento de alienação do homem,
posta no mundo tão-somente como ato de pensar, não
enquanto tese apenas, porém como superação crítica do pensamento do
homem, que se pôs no mundo e impregnou as instituições, a cultura, a
civilização; não se trata aqui do homem em sua alienação metafísica : o
ato de filosofar e o ato teatral do filósofo, que representa meramente
uma alienação do homem, - o homem que é mais, muito mais que é
o filósofo, mormente ao agir no mundo com o pensamento e o corpo,
engajado criticamente ao contexto que narra a história do momento e
insere o homem pensante no ritual momentâneo e aparentemente acrítico de
forma espontânea e livre: esta é a ação e
atitude do homem filosófico ou de inteligência nativa, livre das peias
das doutrinas e outras crenças , pois o homem livre do filósofo que é em
contexto ( e somente em contexto, or necessidade alheia). Somente assim
agindo e pensante o homem é a sabedoria inata, o senhor de si e da
terra e dos demais senhores, que se escravizam pelo barato. O homem
livre, livre do filósofo que que dá a persona para clamar no
anfiteatro,
não põe simplesmente o pensamento doutrinário filosófico no mundo, pois
este pensamento puro é a
alienação do homem no filósofo e a alienação do pensamento no mundo
social; pois este pensar se exprime por meio de doutrina, no
mundo; este homem liberto põe o próprio homem, a si mesmo, porquanto
antecessor e criador do filósofo, o qual é um
mero ator social, uma criação do poeta. Nisso não difere do homem, que
não é ator, conquanto
atue, mas livre do papel escrito, que lhe cabe; pois o homem é livre
do daquilo que está escrito, quer seja n Corão, quer seja nos livros da
lei, seus códigos e, em posse da liberdade, age, porquanto é o
único ser livre na natureza presa na pressa da brisa e da lira que
cobiça por glória, fama e riqueza na mão do poeta ambicioso.
A ação livre, liberta o filósofo de seu papel alienado de si,
alheio a si, no mundo como pensamento de morto, ou vivo, mas focado
numa personagem teatral social, política, pois traz
a doutrina ao rés-do-chão, comunica-a ao homem comum, o qual é o ser
alienado que, se libertado da sua inconsciente ou cônscia alienação,
pode e muda o
mundo social ao seu talante e ao seu redor com a força inconteste da
água que a tudo derriba em caminho de amotinada, pronta a desbancar uma
Revolução pra Além da Francesa e outra Revolução para Além da
Industrial.
Aliás, a Revolução Francesa é
uma guerra à parte, enquanto a prática é imitação pura, arremedo; a praxe, criação, espontaneidade. A
prática é a resignação à utilidade, a servidão à doutrina do utilitarismo inglês; a praxe a conjuração ( mineira). Os antigos
filósofos gregos pensavam suas doutrinas e a punham imediatamente em praxe quotidiana.
Haja vista os cínicos, os eleatas, os estóicos, os filósofos do Liceu e
da Academia, creio, os pitagóricos, dentre outros. Os profetas hebraicos
faziam o mesmo com seu proceder profético, o que leva a crer que conheciam as atitudes daqueles
vetustos filósofos que uniam o inútil ( a filosofia) ao desagradável ( a
imprecação e outros gestos teatrais exagerados, levados ao
extremo, levados a cabo.Levados!!!).
Os seres humanos naturalmente inteligentes desenvolvem uma ou
inúmeras doutrinas durante o
transcurso de suas vidas produtivas, doutrinas essas com fulcro é uma
única ideia "platônica", a qual dá o seu ser ao pensamento do homem
individual que a criou e desenvolveu e responde aos estímulos e
sacolejos do contexto, cujo tecido é mui mutável, fato que faz dos
discípulos do sábio, além de divulgadores e estudiosos do pensamento do
homem são ( santo) banhado em rio de saber inato, um perene ato de
colocar, recolocar e colar
mesmo em contexto essa doutrina que atravessa os milênios na muda mão
dos amanuenses que, não poucas vezes, a muda, modifica, reconduz ao
contexto temporal, retira-a morta da teia da aranha antiga. Haja vista a
doutrina de Jesus Cristo e Buda! - Toda a Bíblia! que prescinde de um
novo passa-olho nos trechos revisitados pelo olho vivo e nu do bebê que
lê Esdras.
No que tange aos homens de inteligência
adquirida, não-nata, não-natural, como a do sábio, mas artificial,
formada e fortalecida pela cultura, esses somente ganham de dom serem discípulos fiéis ( quando
fiéis!) quando se limitam humildemente apenas a dar sequência dialética
ao seu pensamento bordado e constituído ao
sabor dessas doutrinas, as quais lhes emprestam o conhecimento
limitado de
quem não o pode produzir. As inteligências artificiais (artefatos
culturais) têm apenas opiniões sobre tais doutrinas, pois não
são doutos, nem tampouco ditosos eruditos, quando muito limitados
eruditos, mas de imensa utilidade ao atuarem com humildade como meros
repassadores do que pregam os doutrinadores, seres de
inteligência inata que criam a mente ou desenvolvem o intelecto
ilimitadamente todos os dias, da aurora à noite, até de madrugada, no
fio
do orvalho hialino que beira o arreio e da loucura e ao arrepio da
demência descrita por Erasmo
de Rotterdan e Michel de Foulcaut, ouvida na voz grafada em livros dos
seus tempos.